Olh’ó brinquedo pr’ó menino e pr’á menina

Como sabem, cá em casa só temos meninos e, por isso, sempre pensei que iria ficar com a casa cheia de bolas e carros mas a verdade é que não é bem assim!

O adolescente era um bebé de sofá. Gostava de jogos e brinquedos variados mas, a partir do momento que começou a ler, sozinho aos 5 anos, tirando as pistas de Hot Wheels, queria material científico e livros, muito livros. Bolas nunca foi muito com ele…

O nosso N. também não é fã de bolas nem de carros. Adora tudo o que tenha a ver com cozinha… Tem fogão, panelas, comida, pratos, máquina de pipocas, gelados, gomas, cupcakes (que ele poupou para poder comprar) e adora usar e fazer-nos comer de forma imaginária.

O mais novo, que adorava carros e andava sempre de mochila com carrinhos atrás, declarou este ano que queria uma boneca. Adorou esta casa da árvore da Heidi e do Pedro mas, com o dinheiro dos anos comprou a Ana. A Ana é nossa filha e ele cuida, quase sempre, bem dela. Dá-lhe mimo, deu-lhe biberão até uma colega na escola levar o biberão para casa e não o devolver, leva-a a passear e dá-lhe banho. Incrivelmente ainda ninguém lhe disse que aquilo é um brinquedo de menina e eu agradeço.

É fácil dividirmos os brinquedos em categoria menino/ menina e ainda hoje fiz um folheto de uma conhecida cadeia de supermercados a fazer essa distinção e temos de parar com isso. É bom as crianças aprenderem que o lugar da mulher não é sozinha na cozinha! Os pais também devem dar banho aos bebés e vesti-los e cuidar deles.

Se não permitirmos que os nossos filhos brinquem ao que querem com medo que poderão gozar com eles, que mensagem passamos? Sim, podemos preparar-nos para “bocas”. Mas podemos preparar uma resposta com tolerância: “Os pais também cuidam dos bebés!”; “Há grandes Chefs homens, não sabias?” e talvez assim possamos tornar este mundo melhor, mais tolerante e acima de tudo mais igual para homens ou mulheres.

Eu ainda sou do tempo em que não me deixavam jogar futebol porque era desporto de menino! Trepava às árvores e fazia experiências… e detestava que me chamassem Maria-Rapaz. Espero que quase 40 anos passados, haja mais tolerância em relação ao que os meninos e as meninas podem fazer e com o que podem brincar. Breve nota de rodapé, há uma conhecida marca de fast food que deixou de ter brinquedos por género, igual a outras menos conhecidas, mas parece-me um passo em frente!

Aqui está uma foto do pai a montar a casa da árvore com os filhotes. Não são fofinhos?wp-1488233792675.jpg

 

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2 comments

  1. Silvia, que haja mais pais e filhos como vocês! Isto é tão, mas tão importante. Beijinhos e parabéns 🙂

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    1. Obrigada 🙂 Beijinhos!

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