De comboio para Lisboa

Depois de dois anos a andar de carro no IC19, passei orgulhosamente a ser uma utilizadora de transportes públicos. Ainda estou na fase de enamoramento. Há sol, livros e vontade, que mais pode uma pessoa desejar?

Têm sido viagens boas, apesar de viagens um pouco apertadas, mas, para já, tudo com muito civismo. Infelizmente, já se fizeram sentir os primeiros sintomas que tantos se queixam. Falta de comboios para o número de utentes e atrasos nos que deveriam passar a horas. Já agora, o que se deve fazer quando os comboios se atrasam ou não vêm? Pedir o livro de reclamações, falar com os funcionários?

Se todos os que usam o IC 19, ou mesmo metade, passasse a andar de transportes públicos teríamos muitos problemas, uma vez que já não há grande espaço de manhã, num dia normal. Por causa dessa falta de espaço, acaba também por se dar o outro fenómeno – já quase ninguém lê.

Os telemóveis são os grandes vencedores na corrida! Auriculares com microfone e ouve-se música, ou fala-se com a namorada, a tia ou o pai, viaja-se pelo facebook, youtube instagram e whatsapp. São formas novas e diferentes de passar o tempo. Ocupa-se menos espaço e é mais fácil de carregar.

Mas sinto falta de ver leitores há minha volta. Eu sou aquela utilizadora do comboio, com olhos gulosos a ver o que estão a ler. Levo o meu livro e lá estou, sentada ou de pé, agarrada a ele. Gosto especialmente de fazer equilibrismo a virar a página quando estou de pé. É como se estivesse a fazer testes de motricidade. Pior é quando estamos tipo lata de sardinha, agarrada à mochila, a tentar ler e sem espaço para me agarrar. É uma das competências que terei de aperfeiçoar.

Quanto aos livros, espero que possa ver cada dia mais e mais livros… São uma inspiração, uma tentação e um excelente quebra-gelo.

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