Isabel de Aragão – Opinião

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Este foi um dos livros que me acompanhou na autocaravana e que me deu muito prazer ler. Demorei algum tempo pois em viagem não conseguia ler muito. Sou eu que guio e ao fim de um dia, com a luz reduzida da autocaravana, que algumas vezes ficou sem carga, não consegui ler tanto como desejava.

Tinha bastante curiosidade em relação ao livro Isabel de Aragão – Entre o Céu e o Inferno. A melhor Rosa de Aragão era o nome carinhoso dado pelo seu avô e, apesar de ter nascido no meio de tantas desavenças familiares, teve a sorte de ter uma educação esmerada, quase que imprópria para uma jovem donzela da altura.

Isabel viveu realmente entre o céu e o inferno, rainha de tantas pessoas que a amavam pela sua bondade e caridade, mas no meio de lutas familiares pelo poder, inclusive entre o seu marido e o seu filho. O livro de Stilwell é um romance histórico que nos deixa refletir sobre as dificuldades sentidas na época. Como os casamentos arranjados e o facto de as jovens irem para as casas dos futuros maridos ainda tão novas, as infidelidades conjugais tão normais mas que não deixam de ferir danificar relações, o papel da mulher numa sociedade tão conservadora e as formas que eram arranjadas para quebrar as convenções.

Por falar em quebrar as convenções, Vataça Láscaris será o melhor exemplo deste caso. Esta princesa Bizantina em tudo foi diferente e até na morte (espreitem este artigo de Deux Enfants Terrible) e, pela internet e noutros livros, há mais teorias sobre Vataça e o Rei D. Dinis…

Como disse anteriormente, li o livro no passeio de autocaravana que foi daqui a Biarritz e voltou… Na volta passámos por alguns dos sítios por onde andou Isabel de Aragão. A verdade é que, e fica aqui lançado o repto, devia haver a Rota de Isabel de Aragão, em livro, para que pudéssemos visitar os sítios por onde esta rainha magnífica andou. Numa altura em que mesmo os coches eram rudimentares, muitos quilómetros fez Isabel.

Esta ideia de passeio Isabelino não é nova. Já em Maio, a convite da Manuscrito, fomos visitar o Castelo de S. Jorge com Isabel Stilwell, que nos guiou como se estivéssemos no tempo da Rainha. A sua filha leu alguns excertos da obra com indumentária semelhante à da altura como podem ver no Instagram. Foi uma oportunidade maravilhosa. Vamos agora fazer uma viagem pela península Ibérica?

Entre o céu e o inferno. Assim foi a vida de Isabel de Aragão.

Nasceu envolta no saco sagrado, a 11 de fevereiro de 1270, em Saragoça. Intocável. Protegida. Com poucos dias de vida o avô, Jaime I, levou-a consigo para Barcelona, no meio de uma tempestade. Cresceu a ouvir histórias de grandes conquistas, de reinos divididos por lutas sangrentas entre pais e filhos e entre irmãos. A história de Caim e Abel. Uma história que se repetiu ao longo da sua vida…

Aos 12 anos casou com D. Dinis, rei de Portugal, e junto dele governou durante 44 anos. Praticou o bem, visitou gafarias, tocou em leprosos e lavou-lhes os pés, gastou a sua fortuna pessoal a ajudar os que mais precisavam e mandou construir o mosteiro de Santa Clara, em Coimbra. Da sua lenda fazem parte milagres, curas e feitos. Mas a melhor rosa de Aragão, que herdou o nome da Santa Isabel da Hungria, era boa para ser rei, como dizia muitas vezes o marido.

Junto dos seus embaixadores e espiões, com a ajuda da sua sempre fiel Vataça, jogou de forma astuta no tabuleiro do poder. Planeou e intrigou. Mas a história teimava em repetir-se. Caim e Abel. Pai contra filho, o seu único filho varão contra os meios-irmãos bastardos.

Morreu aos 66 anos, depois de uma penosa viagem de dezenas de léguas de Coimbra a Estremoz, montada numa mula, para evitar mais um conflito entre Portugal e Castela. Sempre acreditou que a película em que nascera a protegeria de tudo, mas nos últimos tempos de vida sentia-se frágil e vulnerável. E duvidava. Onde falhara como mulher e mãe?

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