As Gordas

fackuCá em casa, uma gorda é uma palavra daquelas de bolinha no canto. Fui educada a não dizer asneiras, especialmente em frente da família. Não quer dizer que não as diga, quando estou muito zangada ou quando me magoo. Num dia normal, não o faço. Não me sinto particularmente puritana mas não gosto de ouvir asneiras à minha volta, principalmente das gordas…

Tinha uma amiga do Norte que dizia asneiras a falar mas eram “quase” inócuas. Eu usava a palavra porra quando estava mais irritada e sentia que estava a transgredir. Até ao dia que o meu marido, na altura namorado, sacou do dicionário e verificamos que o que eu estava na realidade a dizer era: “pau com forma de pénis”… Bolas faz hoje o mesmo efeito. Hoje, faço cerca de meia hora a pé entre a casa e o trabalho e basicamente ouvi asneiras o caminho todo. Não eram só os jovens, nem só os rapazes. Não eram daquelas inócuas. Eram das que me feriam os ouvidos.

Quando há uma lei para abolir os piropos, gostava, já que andam a legalizar tanta coisa, que ilegalizassem o uso de palavrões na via pública, o escarrar no chão e o deitar beatas para a rua. São três acções que me arrepiam!

Voltando às gordas. O Toda a gente diz, não me diz nada… Toda a gente fuma, não significa que tooooddaa a gente fume e que fumar não faz mal. Que se digam asneiras  em frente às crianças, custa-me. Não é o tipo de educação que gostaria de dar às minhas e como respeito os filhos dos outros, gostava que eles aprendessem antes outras palavras mais felizes.

Depois, há o célebre “mas eles vão aprender tudo na escola”. Pois vão, mas vão perceber que é um momento grupal. Quase toda a gente curtiu na secundária, não significa que toda a gente o tenha feito em frente aos pais… Há um lugar para tudo e a sala de estar não me parece o sítio ideal para dizer asneiras ou comer o namorado ao lado do pai!
Sim, o pessoal do Norte diz mais asneiras, mas, pela experiência que tenho, sabem quando dizer e as circunstâncias para usar as gordas! Quando numa frase se ouve:

  • F—-se, viste aquela m—–a do c——-o ontem. O F—o da p—a do c—-o devia ter sido todo f——o na hora.

Dois pontos importantes a referir, quem ouve tem que ser muito esperto para perceber o contexto todo e o outro é que não há um substantivo que se aproveite! A língua portuguesa é riquíssima em expressões interessantes. O que vejo me assusta é que estejamos de tal modo a assassinar a língua portuguesa e a limitarmos de tal maneira o vocabulário que, qualquer dia, voltaremos à fase dos Neandertais e só conseguiremos produzir expressões básicas, de sobrevivência.

#naomatemalinguaportuguesa

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