Tão Veloz como o Desejo, de Laura Esquível – Opinião

Este pequeno livro já estava na lista de livros a serem lidos há anos e só me arrependo de não o ter colocado na minha mala mais cedo. Não é o romance do costume, não é longo nem se alonga. Esquivel consegue compactar uma vida inteira em 128 páginas. Como a vida, esta não é perfeita e Júbilo tem direito a dias maravilhosos, repletos de felicidade, e dias de profunda amargura causados por outros mas também por ele.

Para quem gosta de romances com princípio, meio e fim, este é perfeito pois vemos Júbilo desde bebé, com um dom maravilhoso para a comunicação, que estará presente durante quase toda a narrativa. A sua paixão por Lucha acaba por ser tão semelhante a tantas que se passam por este mundo, em que o cansaço e a ambição acabam por quebrar algo nessa paixão.

Júbilo tem filhos, tem emprego, envelhece, tudo momentos comuns na vida de qualquer um de nós mas Laura Esquivel torna todo o texto memorável com o uso de uma imagética muito própria que apela à emoção do leitor. Não é um romance vulgar nem uma historia de cordel mas tem os ingredientes da vida: lágrimas, risos e amor.

Sinopse:

Júbilo veio ao mundo com um imenso sorriso e o dom de ouvir as palavras que habitam no coração das pessoas que o rodeiam. Era ainda menino e – ao servir de intérprete entre a avó, orgulhosa representante do povo Maia, e a mãe, de língua espanhola – já adoçava as palavras amargas que ambas trocavam, conseguindo que desse ódio nascesse respeito e amor.
No México dos anos vinte, Júbilo é já um homem e trabalha como telegrafista, ocupação que lhe permite fazer bom uso do seu Dom, pois continua a ajudar as pessoas a revelarem o que lhes vai na alma, reescrevendo as mensagens que enviam. A felicidade plena chega quando Júbilo conhece Lucha, por quem se apaixona perdidamente. Enfeitiçados um pelo outro, casam e vivem uma vida de sonho.
Muitos anos passados, o telégrafo está abandonado, obsoleto que é como forma de comunicação; e Júbilo, solitário no seu leito de morte, onde jaz cego e mudo, sofre ainda com a tragédia que um dia o afastou da mulher, o seu grande e único amor.
Que acontecimento trágico poderá ter-se interposto entre os dois amantes, provocando um dano tão irreparável?
Mas Luvia, a filha de ambos, nascida já após essa inexplicável tragédia familiar, não vai descansar enquanto não desenterrar o fantasma do passado e desvendar o que está por detrás dessa história de paixão e amargura.

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