A mamã é que sabe

Relatos de um Parto – o número Dois

Vão me dizer que eu não sei o que é ter um parto difícil depois de lerem isto… A verdade é que não. O N. esteve nove meses na barriga da mãe, sem stress. Houve um projecto giríssimo chamado OdiSeia 88 em que toda a escola esteve em funcionamento como se fosse um hotel, aeroporto, centro de congressos, restaurante, etc. durante 88 horas e a mãe como membro activo da organização (com direito a mais umas horas de sono) ali para as curvas e nada.

Na noite de solstício de verão, o mano mais velho teve uma actividade da escola e foram fazer parte de um espectáculo nocturno. O pai, como professor, também estava a participar e acabou por só vir para casa às 2.00 da manhã, uma vez que era o último dia e tinham que arrumar tudo. Chegámos a casa, eu e o J., por volta das 11.30 e ele foi para a caminha. Eu também tentei  mas custava-me adormecer.

Chegou o papá a casa e disse-lhe que estava com umas pontadas mas não devia ser nada. Levantei-me, fui tomar um banho quente e sendo 6 horas e qualquer coisa acordei o meu marido e disse-lhe que se calhar não era falso alarme e era melhor irmos embora.

Deixámos o J. em casa da avó e seguimos para o hospital, que ficava a cerca de uma hora de carro… Escusado será dizer que a meio do percurso aquilo já se estava a tornar bastante incómodo e, a uns 5 minutos da Guarda, eu, com um ar entre o com dores e o com pressa, só disse ao meu marido:

– Eu não te quero assustar mas ele está quase a sair, por isso, anda o mais depressa que puderes.

Até que cheguei ao hospital e pedi-lhe para chamar os enfermeiros para me ajudar. Enquanto ele fez isso, eu fui saindo do carro. Uma das enfermeiras mais velha olha para o ar aflito do meu marido, olha para mim a sair do carro e diz:

-Não sei porque está tão aflito. Olhe para aquela carinha, acha mesmo que vai sair já?

E assim, fizeram-me subir a escadaria do hospital, deitaram-me numa maca e levaram-me para a sala de observação.

Assim que me abriram as pernas, viram a cabeça do N. a espreitar e desataram a gritar que ele estava quase a nascer… Boa! Agora digam-me algo que eu não saiba!

E assim foi, a maca voou para a sala de partos e dez minutos depois já tinha o N. nos meus braços, sem sequer dar tempo de o pai conseguir preencher a papelada a dar entrada!

Com 38 semanas, o N. nasce perfeitinho, depois de um dia muito especial e a querer assustar as enfermeiras… Esta carinha laroca da mãe, mais uma vez sem epidural, só pensava que teria sido bom que as enfermeiras tivessem acreditado nela à saída do carro. É que subir um lance de escadas com 10 centímetros de dilatação é duro!

Já leram o parto número um?

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