A Mamã É que sabe - rubrica semanal

Carta aberta às Mamãs

Querida mamã,

apesar de deixares de ser a Ana, a Joana ou a Mariana, para passares a ser a mãe, a mamã ou a mommy, nunca deixarás de ser quem eras. No entanto, nunca mais serás a mesma, a partir do momento em que sabes que estás grávida ou que recebes a tua criança nos braços.

O cérebro das mães parece que se multiplica e que há uns neurónios-mãe, ali atrás, bem escondido, que funcionam como se fossem um computador que nunca se desliga. Quantas vezes estarás quase a dormir e te lembras que não tens pão para os lanches ou que te esqueceste de apanhar a roupa interior seca, tão necessária para o dia seguinte?

Ao nos tornarmos mães, ganhamos uma sensibilidade diferente, que nos torna mais fortes… O que uma mãe faz por um filho doente… ou mais sensíveis, como quando alguém decide intervir na nossa forma de criar os filhos e as nossas célulazinhas ficam profundamente magoadas (depois, cada mãe reage à sua maneira, desde ignorar, chorar ou mandar essa pessoa fazer um filho… nada como a experiência para poderem falar).

Querida mamã,

os filhos são tão fofos quando nascem. Depois crescem, aprendem a ler, tornam-se mais autónomos. Ficam adolescentes, que são um outro nível de fofura. Tornam-se adultos, tomam as suas próprias decisões, transformam-nos em avós. Mas nunca, nunca mais deixamos de ser mães. Aquelas celulazinhas vão continuar a manter-nos acordadas, mesmo que eles tenham 50 anos.

Ser mãe é a maior bênção do mundo mas também a maior maldição. Nada nos vai custar no mundo mais do que as dores de um filho e, a partir do momento em que eles cá estão fora, também o nosso coração passará a viver fora do nosso corpo. Lembro-me quando o meu mais velho partiu a cabeça na escola e fazer-me forte enquanto lhe davam pontos foi mais difícil que o seu parto.

Querida mamã,

a vida é feita por fases e ser mãe será a mais longa de todas. Não deixamos de ser Mulheres, de ter relacionamentos amorosos ou amigáveis, de ter as nossas profissões e interesses. No entanto, ser mãe estará sempre lá. Vais comprar roupa para ti e trazes mais roupa para eles do que para ti. Vais passear e pensas que era giro eles irem ali também. Vais tomar café com as amigas e trazes um macaron para cada um.

Vai ser maravilhoso e desastroso, ao mesmo tempo. Vais errar e acertar e recomeçar todos os dias. Não vais falhar! O amor está lá e cura todas as feridas. Não desistas, pede ajuda e sê feliz!

Porém, não te esqueças  que nunca deixarás de ser a Ana, a Joana ou a Mariana. Cultiva-te, floresce! Uma mulher feliz é uma mãe mais completa e, ao te rodeares por outras flores parecidas contigo, terás uma rede de apoio para quando fores uma mãe de ninho vazio. Chegará o dia em que as tuas célulazinhas continuarão em alerta mas a casa estará mais vazia. Não deixarás de ser mãe mas terás que te adaptar a esta nova fase.

Sê feliz, floresce e sê tu! Isso basta.

 

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